sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

travessuras (2)

- Se daquela vez, em vez de me despachar para Cuba, você me tivesse deixado ficar ao seu lado, aqui em Paris, quanto tempo duraríamos juntos, Ricardito?

- A vida toda. Eu faria você tão feliz que nunca mais iria me largar.

Parou de brincar e me olhou, muito séria e um tanto depreciativa:

- Que ingênuo, que bobo você é - disse, separando as sílabas e me desafiando com os olhos. - Você não me conhece. Eu só ficaria para sempre com um homem que fosse muito, mas muito rico e poderoso. E você nunca será, infelizmente.

- E se dinheiro não trouxer felicidade, menina má?

- Felicidade, eu não sei nem me interessa saber o que é, Ricardito. Mas tenho certeza de que não é essa coisa romântica e brega que você imagina. O dinheiro dá segurança, proteção, permite aproveitar a vida sem se preocupar com o amanhã. É a única felicidade que se pode apalpar.

...

- Você é boa gente, mas tem um defeito horrível: a falta de ambição. Está contente com o que conseguiu, certo? Mas isso não é nada, bom menino. Por isso eu não poderia ser sua mulher. Nunca vou estar contente com o que tenho. Sempre quero mais.

Eu não soube o que responder porque, por mais que me doesse, ela falara a verdade. Para mim, a felicidade era estar com ela e morar em Paris. Isto significava que você era um medíocre irrecuperável, Ricardito?

(TRAVESSURAS DA MENINA MÁ, Mario Vargas Llosa)

Mais uma pra você, Milhouse. Cada vez, lembro mais e mais de tu.

Wendy.
 

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